Vivemos em um momento desafiador para o equilíbrio ambiental. A intensificação da crise climática exige soluções que unam proteção financeira e cuidado com o planeta. Nesse contexto, surgem os seguros sustentáveis – produtos que não só resguardam bens e pessoas, mas também geram benefícios climáticos, ambientais e sociais mensuráveis.
Este artigo explora os impactos da mudança do clima sobre riscos, a definição regulatória no Brasil, os tipos de benefícios, o arcabouço legal e oferece dicas práticas para escolher seu seguro sustentável.
A Crise Climática e a Nova Lógica de Riscos
Os eventos extremos – enchentes, secas prolongadas, tempestades e ondas de calor – tornaram-se mais frequentes e severos em todo o mundo. No Brasil, enchentes e inundações recentes, como as que levaram ao estado de calamidade pública no Rio Grande do Sul, mostram o impacto direto dessas ocorrências no bolso das famílias e na economia nacional.
O setor de seguros assume hoje um papel duplo: proteger financeiramente pessoas, empresas e governos e, ao mesmo tempo, redirecionar fluxos de capital para atividades sustentáveis. Essa mudança de paradigma é vital para reduzir o chamado gap de proteção, especialmente em países emergentes, onde a cobertura de seguros ainda é insuficiente.
Conceito de Seguros Sustentáveis e Relação com ESG
Em novembro de 2024, a Resolução CNSP nº 473/2024 definiu critérios claros para que produtos de seguro e previdência sejam classificados como sustentáveis no Brasil. Para receber esse selo, é preciso comprovar que coberturas, bens, direitos ou garantias geram benefícios concretos para o clima, o meio ambiente ou a sociedade.
- Benefícios climáticos físicos: evitam ou mitigam perdas causadas por condições climáticas extremas e alterações de longo prazo.
- Benefícios climáticos de transição: incentivam a economia de baixo carbono e financiam projetos de redução e compensação de emissões.
- Benefícios ambientais: protegem a biodiversidade e promovem o uso responsável de recursos naturais, como água e solo.
- Benefícios sociais: promovem inclusão, amparo a populações vulneráveis e segurança no trabalho.
Esses quatro pilares formam a base da taxonomia de seguros sustentáveis regulada pela Susep, alinhada à agenda de finanças sustentáveis e ao Plano de Transformação Ecológica do governo federal.
Regulação e Normas no Brasil
A Resolução CNSP nº 473/2024 estabelece obrigações rígidas para as seguradoras e Entidades Abertas de Previdência Complementar (EAPCs). Entre os principais pontos estão a transparência sobre benefícios esperados e a comprovação de critérios para evitar greenwashing e falsas promessas.
Além disso, a Circular Susep nº 666/2022 exige que as empresas incorporem riscos ESG em sua gestão, fortalecendo a governança e a responsabilidade técnica. A Susep também destaca a conexão entre a regulação de seguros e o mercado de capitais, incentivando investimentos em fundos ESG certificados pela CVM.
O Papel das Seguradoras na Transição Ecológica
Como grandes investidores, as seguradoras podem direcionar recursos para a economia verde e projetos de baixo carbono. Isso inclui financiamento de fazendas solares, reflorestamento e iniciativas de adaptação climática em comunidades costeiras.
Além disso, a classificação sustentável exige auditorias anuais e responsabilidade formal do diretor técnico, garantindo que os produtos cumpram efetivamente as metas estabelecidas e gerem impacto real.
- Implementar metodologias de mensuração de impacto e relatórios periódicos;
- Alignar portfólios de investimento a taxonomias nacionais e internacionais;
- Colaborar com órgãos públicos e organizações da sociedade civil.
Como Escolher seu Seguro Sustentável
Para fazer uma escolha informada, verifique se a apólice:
- Está registrada na Susep como produto sustentável;
- Apresenta clareza sobre os benefícios climáticos, ambientais ou sociais;
- Descreve metodologias de avaliação e indicadores de desempenho;
- Possui selos válidos e evita termos vagos que possam confundir.
Converse com seu corretor, solicite documentos detalhados e compare diferentes ofertas. Um seguro sustentável pode ter prêmio semelhante a um convencional, mas oferece retorno social e ambiental adicional.
Conclusão
Os seguros sustentáveis representam uma grande oportunidade de unir proteção patrimonial e cuidado com o planeta. Ao escolher produtos alinhados a critérios ESG e à taxonomia nacional, os consumidores contribuem para a construção de uma economia mais justa e resiliente.
Investir em seguros que geram benefícios climáticos, ambientais e sociais é, acima de tudo, um ato de responsabilidade coletiva. Sua escolha pode fazer a diferença na mitigação de riscos, na adaptação às mudanças do clima e na promoção de um futuro mais sustentável para todos.
Referências
- https://www.genebraseguros.com.br/susep-regula-seguros-sustentaveis-no-brasil/
- https://www.demarest.com.br/cnsp-define-as-diretrizes-para-obtencao-do-selo-de-sustentabilidade/
- https://www.gov.br/susep/pt-br/central-de-conteudos/noticias/2024/novembro/publicada-nova-norma-sobre-seguros-e-previdencia-sustentaveis
- https://casadoseguro.org.br/como-as-financas-sustentaveis-podem-transformar-o-setor-de-seguros-no-brasil/
- https://www.migalhas.com.br/depeso/432729/esg-e-seguro-governanca-sustentavel-e-a-nova-logica-dos-riscos
- https://ecoassist.com.br/importancia-do-seguro-sustentavel-para-a-sociedade/
- https://www.segurossustentaveis.com







